quinta-feira, 1 de agosto de 2013

namora uma rapariga que lê

Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.
Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.
Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.
Ela tem de arriscar, de alguma maneira.
Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.
Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.
Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.
Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.
Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.
Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.
Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve.
Texto de Rosemary Urquico

da Vida, um Eterno Amor

De tudo, ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre a começar...

A certeza de que de precisamos continuar...

A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto devemos:

Fazer da interrupção um caminho novo...

Da queda um passo de dança...

Do medo, uma escada...

Do sonho, uma ponte...

Da procura, um encontro...

(Fernando Pessoa)

... é tempo...

… é tempo de ires ao fundo da caixa do teu tesouro e removeres de lá aquelas partes mais escuras que ainda te abalam o amor-próprio e a autoestima. É tempo de olhares de frente para o medo da solidão, do abandono e da separação. É hora de captares a profundidade dessas dores e chorá-las… são águas de emoções que estão estagnadas há décadas ou até mesmo há milénios… Imaginas o que é ter algo guardado dentro de ti há milénios, mas que vida após vida, experiência após experiência, surge uma e outra vez para te recordar que está lá, que existe e que é real?

Em quantos momentos das tuas experiências te sentiste paralisar de medo porque alguém que tu amavas te abandonou ou partiu deixando-te sozinho/a? Em quantos desses momentos sentiste a dor a dilacerar o teu Coração deixando na ilusão de que tudo estava perdido, nomeadamente a razão de viver? Quantas vezes, meu irmão, minha irmã, deixaste de manifestar essa dor para a reprimires e camuflares, arrastando essa âncora durante anos e anos e anos?

......... pergunto-te – como poderás almejar tu a superação do patamar da Humanidade para encontrares o Divino, se não te permites a manifestar em plenitude o Divino na Humanidade? Como podes tu reclamar para ti o patamar de sublimação da matéria se ainda tens em ti, no teu ADN e nas tuas células, memórias emocionais reprimidas e recalcadas que te escusas a ouvir e sentir? Não há plenitude na omissão. Não há Verdade no caminho que não abarca o TODO a começar pelo TODO em ti mesmo/a.

… convidamos-te a ires fundo nas tuas emoções. A abrires REALMENTE o teu Coração e descobrires o que aí guardas para lá do ouro e da luz… pois sem abraçares essa sombra, esses medos, essas inseguranças, não poderás atingir a unificação em ti mesmo/a. Chora, partilha, liberta, entrega e rende! Sê inteiro/a! Não sejas menos do que ÉS em todo o teu esplendor sagrado e divino, enquanto humano e espírito!

Excerto de mensagem
Arcanjo Miguel através de Isabel Angélica
(www.terrasdelyz.net)